sexta-feira, 26 de março de 2010

Amareis o vosso próximo como a vós mesmos

Essa frase se encontra na bíblia, mais precisamente no Novo Testamento, livro de Mateus, capítulo 22, versículos 34 a 40. Baseando-se nessa passagem onde Jesus diz que devemos amar a todos sem distinção alguma, com um sentimento ilimitado, ocorre a seguinte pergunta: é possível amar algo ou alguém sem qualquer tipo de cobrança ou preconceito?
Para se obter essa resposta, talvez seja preciso voltar no tempo, há 2.400 anos aproximadamente. Nos conta a mitologia grega que existiu um personagem chamado Narciso, que fora agraciado pelos deuses com uma beleza sem igual. Narciso era tão belo que nada nem ninguém poderia obter sua atenção, visto que ele criou um amor tão forte que se apaixonou pela sua imagem, chegando ao ponto de um dia quando se ajoelhou às margens de um lago para se lavar, ficou tão apaixonado pelo seu próprio reflexo que ao tentar agarrar e beijar sua imagem, se atirou no fundo do lago, morrendo assim afogado.
Será que há um amor verdadeiramente puro, ou até mesmo será que há amor? O que existe são cópias imperfeitas e eivadas de vício desse sentimento que provavelmente é a lei maior que rege todas as coisas. Como diria Platão, o amor verdadeiro ainda está no campo das idéias. O sentimento que une amigos, namorados, até alguns desconhecidos, talvez seja simplesmente o reflexo do amor próprio que cada um sente por si mesmo.
Nós amamos as pessoas até onde estamos de acordo em atitudes ou opiniões, pois o motivo mais freqüente para se odiar alguém , sempre parte do ponto em que há divergência de opiniões, que cresce ao ponto de se tornar uma briga, uma agressão, etc...., chegando a uma guerra de vaidades onde ninguém quer sair derrotado. Dizem que o ódio é o amor que enlouquece, mas se é verdadeiramente amor, não enlouquece, pois o amor trás equilíbrio. Com isso, quando dizemos que amamos alguém, talvez seja porque nós na verdade amamos a nós mesmos em corpos diferentes, haja vista a afinidade de pensamentos que temos com a pessoa que dizemos ser a amada, como se essa mesma pessoa fosse nada mais que a água do lago com o reflexo de Narciso, no caso o nosso.
Mas como nosso pseudo-amor não passa de uma cópia imperfeita e barata de um sentimento muito mais abrangente e puro, basta uma simples atitude contrária aos nossos ideais para percebermos que o nosso amor é tão frágil como uma peça de porcelana. O encanto se quebra com facilidade, pois a decepção de não nos ver na outra pessoa é muito maior do que alguma virtude que ela possa ter.
Mas nada dessas suposições nos faz chegar a uma conclusão de fato, pois ao mesmo tempo em que constatamos que ainda estamos muito longe do que seria um sentimento desprovido de qualquer vaidade ou preconceito, podemos ao menos notar que já demos alguns passos (lentos é verdade) à frente. Ou será que hoje em dia ainda acharemos divertido vermos pessoas serem jogadas aos leões apenas por divergências religiosas ou de cunho político?

Um comentário:

  1. Ótimo texto cara! Um dia todos saberemos o que é sentir o "Amor verdadeiro". Enquanto isso não acontece, o "pseudo-amor" vai se aprimorando. Pois, apesar de tudo, ele ainda não se tornou um dos piores sentimos que existem.

    ResponderExcluir